quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Anotações sobre a Psicologia Infantil


Anotações sobre a Psicologia Infantil
Data: 03/08/2009
Por Dra. Daniela de Oliveira


Cada vez mais pesquisadores buscam entender, através de experimentos, anotações e observações, o desenvolvimento e comportamento infantil e suas origens.

Sigmund Freud, Piaget, Melanie Klein, Aberastury, Wallon, Erickson, entre outros tantos autores, criaram suas teorias sobre o desenvolvimento das crianças sob diferentes pontos de vista, porém algo em comum todos vem destacar sobre tal desenvolvimento: as primeiras experiências do ser humano são base para seu comportamento posterior, seja através de fases seqüenciais, seja através de etapas independentes, enfim é uma grande variedade de diferentes conceitos que descrevem diferentes processos.


Muitos pais estão constantemente preocupados em compreender se o comportamento de seu filho está de acordo com a fase a qual se encontra e acabam se cobrando sobre determinados comportamentos desajustados ou que estão trazendo prejuízos significativos nos mais diversos contextos.


E a psicologia do desenvolvimento vem para tentar esclarecer tais dúvidas, porém não com uma resposta tão rápida e exata, pois cada ser humano se constitui de uma única e exclusiva forma, ou seja, PERCEBE informações e APRENDE de uma forma muito subjetiva e própria.


Sabe-se que as relações iniciais da criança com seu cuidador estão repletas de fatores influenciadores de seu comportamento posterior e principalmente da constituição de sua personalidade, tais como: estimulação, atenção, afeto, limites, respeitar o tempo e a idade, transparência e sinceridade, troca de valores, entre outros.


Ou seja, a criança experimenta e observa tudo ao seu redor, e essa troca com o mundo irá construir percepções internas que servirão de base fundadora de sua personalidade e relação com o mundo (comportamento).


Se você pai quer respostas sobre o comportamento de seu filho aqui trago alguns toques principais:


- seu filho apresenta tal comportamento com que freqüência? Caso seja uma freqüência considerável e não simplesmente focal como resposta a uma determinada situação tensora, motivo de atenção maior por parte desses pais e a busca de recursos.


- seu filho está causando alguma conseqüência negativa de seu ato ou atitude, seja para ele mesmo, seja para suas relações sociais, afetivas? Quando o comportamento já traz conseqüências ao próprio causador e/ou ao meio é motivo de atenção e busca de auxilio por parte destes pais.


E como pai ou mãe de família dificilmente possuímos a capacidade de identificar o real motivo que leva nosso filho a manifestar tal comportamento, pois nossa forma de julgamento está baseada em nossas próprias percepções muitas vezes, mascaradas de proteção e de julgamento distorcido.

Por exemplo, muitos pais comentam: João está agindo assim porque ele quer atenção, é excesso de mimo, é para conseguir o que quer. Sim. Pode ser esta a intenção.

Mas o porquê desta intenção? O que o leva a pensar que desta forma é a melhor para conseguir o que quer? Quem permite ou quem repreende? Como agir? Que barreiras próprias quebrar para iniciar um novo comportamento? Uma nova concepção livre de distorções? Enfim, são inúmeras situações, hipóteses, possibilidades, respostas que somente esses pais saberão responder, sejam auxiliados ou não.


Pode ser indicado, nestas situações, que os pais abram espaço para conversa. Então questiono: é tão simples assim? Só isso? Não, não é só isso. “Abrir-se para conversar” é tornar-se receptivo, é fazer-se receptor, é estar livre de pré-julgamentos, pré-concepções, pois no primeiro impasse ou freio colocado, toda conversa vai por água abaixo.

Se você pai não se sente pronto ou disponível para isso, é normal, nem todos temos essa habilidade, então recorra a alguém e busque outras alternativas.


Mas meu filho é pequeno, não me entende?

Em primeiro lugar: ele com certeza entende, não com todas palavras, mas a impressão está presente e instaurada. Então se permita brincar com ele, pois a criança, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, geralmente não expressa seus sentimentos e medos na forma falada (verbal), porque ela ainda não sabe como “traduzir” suas sensações e sentimentos, além da possível culpa, vergonha e medo de falar.


A esplendorosa magia do brincar para a criança é a forma na qual ela extravasa suas tensões, ela corre, ela pula, ela xinga, ela mostra no brincar quem, quando e como ela quer resolver uma situação e simboliza isso em bonecos e personagens, tais como pai, mãe, irmão, irmã, amigo, amiga, professor.

Claro que, pessoas sem o preparo técnico podem identificar ou “desconfiar” que o foco do problema está ali, porém não sabem dar seqüência ou trabalhar com tudo isso e, nesta fase, aconselha-se a busca de um orientador, seja ele pedagogo ou psicólogo a fim de ser orientado sobre como proceder, e se a necessidade de ajuda técnica se faz necessária.


Ser criança é fazer parte de um mundo muito interessante e mágico, onde fantasia vira realidade e realidade pode virar fantasia, onde a percepção de um detalhe pode ser evidenciada enquanto algo muito maior é visto como indesejado ou sem graça. É uma época aonde se percebe enquanto humano, aonde se constrói uma personalidade para a vida toda, base de todas suas futuras relações humanas.

É como uma massa de modelar, que vai adquirindo forma dia após dia, em diferentes cores e tons, e também aonde pais e profissionais conseguem intervir para que o molde final fique em falhas ou bolhas e que as cores fiquem bem distribuídas e harmoniosas, para que o tempo não a desgaste e não a quebre por completo, pois quanto mais o tempo passa, essa massa vai enrijecendo em sua forma definitiva.


Através desta analogia é possível perceber o quanto a psicologia infantil fascina e funciona e nos dá margem para resgatar nossa criança adormecida e fazer alguns ajustes nas pequenas fendas, outras grandes, que adquirimos ao longo da vida. Claro que será massa nova, mas também é massa fresca, massa com cores vivas, que deixarão o molde fique mais firme e forte, além de bonito.


Dra. Daniela de Oliveira

Psicóloga formada pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) em Santa Catarina, atuante nas áreas de Psicologia Clínica e Clínica-Hospitalar Infantil e Psicóloga Educacional. Consultora de Recursos Humanos e Analista de Treinamento e Desenvolvimento.
http://www.superane.com.br

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