quinta-feira, 23 de julho de 2009

Esse é só um, dos muitos artigos que encontrei no site da professora e escritora Tania Zaguri e que pode nos ajudar a entender e conduzir melhor nosso trabalho como pais e educadores. A partir de hoje estarei postando aqui no blog alguns deles.
A questão da auto-estima
Prof. Tania Zagury

Uma das grandes preocupações do momento em Educação e Psicologia é com a auto-estima. Professores, psicólogos e pais debruçam-se sobre a questão com cuidado crescente. Esclarecer alguns pontos básicos parece-me, portanto, valioso e útil.

Auto-estima (auto-imagem ou amor próprio) é a forma pela qual o indivíduo percebe seu próprio eu. É o sentimento de aceitação da sua maneira de ser.
Se a pessoa se vê de forma positiva, valorizando suas características, podemos dizer que tem auto-estima elevada ou positiva.

Se, ao contrário, ela não se aceita ou se desvaloriza, isto é, se há inconformidade consigo mesma, dizemos que tem baixa auto-estima ou auto-estima negativa.

O cuidado especial com o tema deve-se ao fato de que indivíduos com baixa auto-estima têm possibilidades maiores de apresentar problemas como depressão e insucesso profissional, entre outros.

O risco de fazerem uso de drogas e tornarem-se dependentes químicos é também mais elevado. São também passíveis de serem manipuladas e de cederem às pressões do grupo com mais facilidade. Daí porque, dentre as medidas de prevenção ao uso de drogas, inclui-se hoje o trabalho no sentido de melhorar a auto-estima.

A auto-estima começa a se formar muito cedo. Desde bem pequena a criança em interação com o meio, através das experiências vivenciadas vai incorporando idéias sobre si, que influenciarão suas atitudes posteriores.

Nem preciso dizer o quanto nós, pais e professores – mais uma vez, tadinhos de nós, quanta responsabilidade sobre nossos ombros! -, temos peso na formação desse conceito. Embora não seja o único fator determinante, a ação de pais e docentes é essencial.

O que fazer, portanto, para que nossos filhos e alunos se vejam a partir de uma ótica positiva? O que pode beneficiar ou prejudicar esse processo?

Uma das atitudes mais importantes é o respeito pela dignidade da criança.
Tem gente que acha que, como a criança é pequena, não tem ainda sensibilidade nem percepção. Daí que falam e agem de acordo com essa idéia, inverídica.

Mesmo a criança pequena, sente-se menosprezada se não levam em consideração seus sentimentos, se não atendem suas necessidades e desejos (evidentemente os que podem ser atendidos), se não é ouvida com atenção, se, sem nenhum motivo, ordens são dadas aos gritos e se não há respeito mínimo a sua privacidade.

Esse é o primeiro passo: avaliar até que ponto os tratamos com respeito.

Muitas pessoas relacionam-se com os vizinhos e amigos com educação e deferência, mas não fazem o mesmo com as crianças.

Por outro lado, é bom lembrar que tratar as crianças de forma digna, não impede que as eduquemos, que estabeleçamos limites, regras, que digamos não quando necessário, e que também possamos fazer críticas construtivas todas as vezes que necessário.

Outro elemento fundamental é descobrir e ressaltar as qualidades e o valor que cada um de nossas crianças tem, evitando, o mais possível, fazer comparações – especialmente as desabonadoras – entre elas.

Toda criança tem, desde a infância, características de personalidade que a diferenciam e individualizam. É claro que determinados traços – a capacidade de fazer cálculos matemáticos com rapidez, por exemplo - são valorizados e tidos como qualidades, enquanto que outros – a timidez, por exemplo – são encarados como “defeitos”.

Se os adultos que convivem com a criança ou o jovem, passam a maior parte do tempo, ressaltando aquilo que a sociedade convencionou chamar de “defeito”, eles começa a se ver como seres incompletos e incapazes, o que, sem dúvida, irá contribuir muito pouco para que tenha uma auto-estima elevada.

Se, ao contrário, as qualidades e virtudes são ressaltadas com freqüência, a possibilidade de ter auto-estima positiva cresce bastante. “João não dá para esportes” ouvido durante anos, poderá levar João a evitar qualquer atividade relacionada. “Angélica, minha filha mais velha é linda; mas a caçula, Antonia, em compensação é muito simpática” quase com certeza levará Antonia a introjetar a idéia de que é feia.

Confiar na criança é outro procedimento que contribui positivamente. Se seu filho lhe relata algo e vê, que, em seguida, você vai “tirar a limpo” com outra pessoa a veracidade do fato, é claro que sentirá que você não acredita nele.
A criança reflete, de forma contundente, essa imagem que os pais têm dela.

Se não crêem nela, ela tende também a não crer em si. Além disso, é preciso demonstrar confiança e fé na capacidade de o filho realizar aquilo a que se propõe.
Se a criança diz que vai fazer uma pintura para a vovó e é estimulada alegre e confiantemente (“Ah, sim, faça isso... você pinta lindamente e sua avó vai ficar orgulhosa!”), acreditará na sua capacidade.

Se não foi bem na escola num determinado bimestre, e os pais demonstram que sabem que o filho vai superar aquela dificuldade, estimulando-o com palavras e atos (“Isso pode acontecer com qualquer um, sei que você vai arrasar no próximo bimestre! Se precisar de alguma coisa, estou aqui para ajudar.”), a chance de superar a crise é muito maior. O mesmo se repete em relação aos professores.

Outro fator importante é não criar expectativas exageradas.
Quer dizer, se, desde pequeno, você começa a dizer para seu filho, a família e os vizinhos, tudo que “ele vai ser quando crescer” pode estar ativando um nível de metas que a criança nem sempre se sente capaz de alcançar, tornando-a ansiosa “por fazer coisas sensacionais”.

As realizações simples do dia a dia - que, aliás, deveriam ser metas suficientes para todos - como passar de ano, tirar notas boas, ter um bom emprego e uma relação afetiva feliz, acabam obliteradas pelo desejo, por exemplo, de ser o melhor da classe, ter o maior salário ou ser alguém muito famoso.

Menos do que isso será considerado sempre muito pouco e, obviamente, motivo de frustração e baixa auto-estima. Basicamente o que importa é que tenhamos equilíbrio para nem deixar de incentivar nossos filhos a progredirem, a irem adiante e a vencerem suas próprias limitações, nem tampouco fazer com que se considerem verdadeiros super-homens, levando a que se julguem acima ou melhores do que os colegas, adotando posturas prepotentes ou de menosprezo pelos demais. Os docentes devem atuar da mesma forma.

Também é importante fator de auto-estima, separar o ato do autor.

Quando seu filho (ou seu aluno) fizer algo inadequado, evite generalizar; não o critique como pessoa. “Eu já sabia que você era um preguiçoso, mas agora, depois desse boletim, tenho certeza” ou “Nem preciso perguntar quem quebrou o abajur da sala, o desastrado da casa, quem mais?!...” - nada mais eficiente do que ataques pessoais, para fazer com que a criança sinta-se um zero à esquerda.

E para que tenha a confirmação de suas suspeitas: “eu sabia que nada iria adiantar, meus pais ( ou professores) não vêem mesmo meus esforços, para que lutar?”. A confirmação de que sua concepção de que não tem valor é verdadeira, poderá consolidar o conceito de menos-valia, que dificilmente será superado.

Se, ao contrário, ao chamarmos a atenção dos nossos filhos para o que fizeram de errado, fixarmos o ato em si (“Meu filho, isso que você fez não combina com você” ou “Tenho certeza que você pode fazer melhor que isso, conheço sua capacidade”) estaremos possibilitando seu crescimento e a superação do problema, sem abalar a auto-estima.

As censuras devem dirigir-se ao fato concreto e não à personalidade ou características da pessoa. Os professores também devem agir com esse objetivo em mente.

Tendo esses cuidados, pais e mestres estarão contribuindo decisivamente para a auto-estima positiva das novas gerações.

http://www.taniazagury.com.br/

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