sábado, 22 de setembro de 2012

PRIMAVERA, UM CONVITE AO FLORESCER

A Estação nos faz acreditar que novas experiências são possíveis


Prestando atenção à natureza veremos como vivemos num manancial de riquezas, cheio de sentido e significado. Observar e sentir a natureza é voltar ao seio de nossa existência, é nos reintegrarmos, pois somos parte dela também. Há algum tempo, escrevi um artigo sobre o outono e busquei demonstrar como cada estação do ano nos convida a diferentes posturas e nos oferece ricos aprendizados. Com a chegada da primavera, trago um novo convite de reflexão.

Assim como o outono, a primavera é uma estação de transição. Ela representa o tempo da despedida das frias paisagens e do preparo para entrar nos tons quentes do verão. As flores são a marca principal da primavera. A natureza desabrocha e se enfeita para nos mostrar que um novo ciclo se inaugura."A natureza desabrocha e se enfeita para nos mostrar que um novo ciclo se inaugura."

Vai embora o gelo, o cinza, o tempo de recolhimento e a natureza se revela multicolorida. É o tempo de acasalamento, reprodução, fertilidade, beleza e abertura. A natureza resistiu aos tempos secos e frios, resistiu à letargia e à hibernação, mostrando que a vida permaneceu latente e agora se refaz.

Em nossas experiências podemos passar por momentos hibernais, em que tudo ao nosso redor está frio e aparentemente sem vida. Seja por situações de perdas, decepções ou pelo simples desaquecimento da roda da vida, momentos de pausa que chegam e se instalam. Nesses períodos algo de muito belo pode acontecer, se optamos por resguardar nossos dons preciosos, sem perdermos as esperanças. Vamos concentrando nossa energia, até que um dia uma nova brisa pode soprar e anunciar que o gelo vai derreter e a grama verde que havia por baixo dele irá se revelar.

ABRA ESPAÇO PARA QUE O NOVO BROTE

A nova estação chega assim, com promessa de inteireza, de luz, de brilho, de aromas renovados, de cantos de pássaros namorando no alto das árvores, de vento levando pólen para fertilizar os campos, de borboletas voando ligeiras com tantas flores para pousar. No tempo da alma, a primavera se assemelha ao momento de lançar nossas ideias, de deixar o ar de novos tempos ventilar nossas mentes e corações, de abrir espaço para que o novo brote. Abrir as janelas da alma, para que o aroma embolorado do inverno se dissipe e o perfume das flores faça morada em nós. É a temporada de nos abrirmos, de acreditarmos em novas possibilidades, de nos encantarmos com a beleza dos pequenos detalhes que passaram batidos nos dias cinza.

Mas para viver a intensidade dessa temporada é necessário exercitar a entrega. É preciso deixar ir o inverno, acreditar que outras experiências são possíveis. Acontece que muita gente ao passar por invernos rigorosos da alma, se esconde por longos períodos em suas tocas, acreditando que não pode mais sair ou, caso contrário, será consumidos por uma nevasca. Se aguçarmos nossos sentidos, no entanto, podemos ouvir o canto dos pássaros lá fora e ver que raios tímidos de sol entram pelas frestas. É preciso entrega, é preciso acreditar, é preciso lançar nossos pólens no ar. Pense e se responda: O que está impedindo que você viva a estação da primavera da alma?

A primavera convida: abra-se, permita-se, aproveite as oportunidades dessa brisa nova, relacione-se, sinta a beleza que há lá fora, deixe seu perfume único exalar de dentro para fora, não tema as abelhas, deixe que elas a toquem levemente e polinizem a vida!

Pense naqueles projetos guardados, nas habilidades contidas e deixe que tudo isso desabroche. "Pense naqueles projetos guardados, nas habilidades contidas e deixe que tudo isso desabroche.”

Lembra-se daqueles hábitos ranzinzas? Vá se despedindo deles, à medida que lança atenção para outros aspectos da vida ou lança um olhar diferente para os mesmos aspectos. A primavera te convida a renovar, abrir, sentir, florir!

Se vai demorar muito ou pouco tempo para você vivenciar a plenitude dessa estação, ninguém tem a resposta pronta. Mas o jardineiro com certeza está dentro de você, à espera que o deixe agir para enfeitar o jardim, trazendo a nova vida para seu redor.

JULIANA GARCIA
Master Coach, psicodramatista, palestrante, facilitadora de grupos e escritora. Coordena em seu consultório atividades voltadas para autoconhecimento, bem-estar e desenvolvimento pessoal.



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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dia Mundial da Doença Alzheimer



Os Desafios da Doença de Alzheimer

O crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial, e no nosso país caracteriza-se pele sua rapidez. Apesar da maioria dos idosos serem considerados "jovens", nós já observamos o aumento da prevalência das doenças crônicas e degenerativas nesse grupo, dentre elas a doença de Alzheimer.

O diagnóstico da doença de Alzheimer é eminentemente clínico e, hoje em dia, nós contamos com classificações diagnósticas bastante sensíveis e específicas que garantem ao médico uma maior acurácia no diagnóstico da doença e, consequentemente. Uma melhor diferenciação entre o idoso antes considerado "senil" ou "esclerosado1 e o idoso sadio.

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no nosso meio. A prevalência dessa doença dobra a cada 5 anos a partir dos 65 anos de idade, o que torna a idade um fator de risco substancial. Além disso, outros fatores de risco incluem o sexo feminino, o baixo nível de escolaridade, história de traumatismo craniano. História familiar positiva e a síndrome de Down. A maioria dos casos inicia-se após os 65 anos de idade e, embora possuam um componente genético, não necessariamente acometem gerações sucessivas de uma família.

O primeiro sinal da doença é o esquecimento para fatos recentes, que se inicia de forma leve e lentamente progride, de modo que o paciente não consegue mais realizar suas atividades habituais corretamente. Logo, a capacidade de organização. Planejamento e execução dos cuidados básicos, manejo do dinheiro e o desempenho no trabalho ficam bastante prejudicados.

O paciente pode ter muita dificuldade em reconhecer pessoas, passa a se perder com frequência quando sai de casa. As alterações motoras, a linguagem e a escrita ficam preservadas até os estágios mais tardios da doença e, na fase terminal, o paciente não consegue mais se locomover e se alimentar normalmente. A morte desses pacientes está relacionada as complicações clínicas dessa imobilização, como infecções respiratórias, escaras de decúbito, dentre outras.

Mais da metade dos pacientes acometidos pela doença de Alzheimer apresenta alterações de comportamento em alguma fase da doença. Os sintomas comportamentais do paciente representam um dos principais fatores relacionados à sobrecarga do cuidador e à institucionalização precoce do paciente. É fato que com a progressão da doença o aparecimento das alterações de comportamento é maior.

Alguns sintomas como apatia, agitação, agressividade e ansiedade são bastante comuns e, mais ainda, esses pacientes também apresentam depressão com bastante frequência. As repercussões tanto para os pacientes quanto para os cuidadores são bastante prejudiciais e incluem uma piora da qualidade de vida para ambos, maior gasto com procedimentos médicos e piora do quadro clínico do paciente, maior adoecimento psíquico e físico para o cuidador.

É importante ressaltar o fato de que o aparecimento de um sintoma psicológico ou comportamental se deve não só a própria doença em si, pelas lesões no sistema nervoso central do paciente, como também pela influência dos fatores ambientais individuais, como o meio onde o paciente reside e a relação com o cuidador.

Atualmente, nós sabemos que tanto o paciente quanto o cuidador sofrem quando a doença de Alzheimer se estabelece. Os cuidadores dos pacientes com a doença de Alzheimer são acometidos por altos níveis de sobrecarga, depressão, ansiedade e de outras complicações clínicas comparados à população geral e aos cuidadores de idosos dependentes devido a outras doenças clínicas.

No nosso meio esse cuidador é geralmente uma pessoa do sexo feminino, com mais de 50 anos de idade e que acumula em si todos os cuidados fornecidos para o paciente. A síndrome de Burnout, que se traduz por um esgotamento emocional significativo, também é uma manifestação bastante comum nesses cuidadores, uma vez que eles geralmente não dividem suas responsabilidades com outros indivíduos, possuem pouco treinamento e orientação sobre o manejo do quadro demencial e recebem pouco retorno do paciente e da sociedade em geral.

De fato, o isolamento social e a falta de recursos é um fenômeno comum ao núcleo familiar do paciente com a doença de Alzheimer.

O tratamento da doença de Alzheimer envolve abordagens medicamentosas e não medicamentosas multidisciplinares. Apesar de não promoverem a cura da doença, essas abordagens são particularmente úteis na lentificação da progressão da doença e na prevenção e manejo dos sintomas comportamentais.

A abordagem do paciente com alguma alteração de comportamento deve ser inicialmente não medicamentosa, analisando-se detalhadamente algum fator que possa estar relacionado àquele sintoma, como qualquer necessidade não atendida do paciente e a presença de um cuidador sobrecarregado.

Assim, um paciente deprimido pode estar necessitando de maior estimulação social e um paciente agitado pode estar padecendo de um quadro doloroso que precisa ser tratado, por exemplo. O cuidador estressado deve sempre receber orientação sobre a doença e o manejo da doença, por todos os profissionais de saúde que atendem o paciente. Além disso, ele deve sempre procurar a associação de familiares de pacientes com a doença de Alzheimer mais próxima da sua residência, uma vez que elas representam importantes redes de suporte social, ajudando a diminuir o sentimento de isolamento do cuidador e a compreender melhor as repercussões da doença.

Mesmo após cem anos do primeiro caso relatado pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer, a doença de Alzheimer ainda possui os seus mistérios notadamente em relação a sua causa e mecanismos envolvidos na degeneração cerebral. Ainda assim, nós sabemos que muito pode ser feito para melhorar a qualidade de vida tanto do paciente quanto do cuidador.

Com as estratégias terapêuticas que nós dispomos, muitos pacientes podem permanecer estabilizados do ponto de vista cognitivo e comportamental por vários anos, o que torna o diagnóstico precoce mandatório. Todos nós somos cuidadores em potencial de alguma pessoa a quem queremos bem, embora nem sempre estejamos preparados para vivenciar essa situação. Apesar disso, o ato de cuidar pode ser muito gratificante e significar um último momento nas vidas do cuidador e do paciente de muito respeito e carinho.

Previna-se Mantenha sua mente em plena forma. Passatempos como jogos, palavras cruzadas, quebra-cabeças, bordados, trabalhos artísticos e outras coisas que obriguem a pensar aumentam o número de conexões neurais, ajudando a sua cabeça a se manter saudável e mais 'equipada' e prevenida contra o Alzheimer e outras doenças degenerativas do cérebro. E você ainda ganha em esperteza e rapidez de raciocínio

Dr. Annibal Truzzi
Médico Psiquiatra
Especialista em Psicogeriatria
Membro da Comissão Científica da APAZ 

FILHO (A),

No dia em que eu não for mais a mesma, tenha paciência e me compreenda...

Quando vier a derramar comida em minha roupa ou a esquecer de amarrar meus sapatos, lembre-se das horas que passei ensinando-o a fazer as mesmas coisas...

Se ao conversar comigo, eu vier a repetir a mesma história, que você já sabe de cor como termina não me interrompa e me escute... Quando você era pequeno, para que dormisse, tive que contar milhares de vezes as mesmas histórias, até que fechasse seus olhinhos.

Quando estivermos reunidos, se por ventura eu, sem querer, vier a fazer minhas necessidades, não sinta piedade de mim, compreenda que não tenho culpa por isso, pois já não posso mais controlá-las.

Pense em quantas vezes, quando você era pequenino, eu não o ajudei e fiquei pacientemente ao seu lado esperando que você terminasse o que estava fazendo

Não me recrimines por não querer tomar banho, nem me repreenda por isso. Lembre-se dos momentos em que tive que persegui-lo e nos mil pretextos que tive que inventar para fazer mais agradável seu asseio. Me aceita e me perdoa, agora a criança sou eu.

Quando me vir atônita e desamparada em frente a todas as parafernálias tecnológicas, que não consigo entender suplico que me dê todo o tempo que me seja necessário, sem me menosprezar com seu sorriso tolerante.

Lembre-se que fui eu quem lhe ensinou tantas coisas: comer, vestir-se e sua educação para enfrentar a vida tão bem como você faz, são produtos de meu esforço e perseverança.. E por meu amor a você.

Quando algumas vezes, ao conversarmos, eu vier a esquecer sobre o que estávamos falando, me dê o tempo necessário para que eu me lembre e, se eu não conseguir fazê-lo, não zombe de mim, talvez não fosse muito importante o que falávamos e eu me conforme em que só me escute nesse momento.

Se alguma vez eu não quiser comer, não insista, sei quando posso e quanto devo comer... Compreenda também que com o tempo já não tenho dentes para morder, nem paladar para saborear.

Quando minhas pernas falharem por eu estar cansada para andar, dê-me sua mão terna para que eu me apoie como fiz quando você começou a caminhar com suas pernas gordinhas e frágeis.

Finalmente, quando algum dia me ouvir dizer que já não quero mais viver e só quero morrer, não se aborreça... Algum dia irá entender que isso não tem nada a ver com seu carinho ou com quanto eu o ame... Tente compreender que já não vivo, senão sobrevivo e isso não é viver.

Sempre quis o melhor para você e preparei os caminhos que você deveria percorrer, pensa então que com esse passo que me adiando em dar, estarei construindo para você outra rota em outro tempo, mas sempre com você.

Não se sinta triste ou impotente por me ver como me vê, me dê seu coração.

Compreenda-me e faça como fiz quando você começou a viver, da mesma maneira como acompanhei em seu caminho, rogo-lhe que me acompanhe até terminar o meu, dando-me amor e paciência, que eu lhe devolverei em gratidão e sorrisos, com o imenso amor que tenho por você.

Quem tem uma Mãe com ALZHEIMER 
diz esta frase notável:
"já tive medo da morte, agora tenho medo 
de sobreviver a mim mesmo!"
Eu partilho esse receio!
Não há nada que possamos fazer para evitar a doença de Alzheimer. É preciso aceitar a Doença, enfrentar os desafios e acreditar que todos podem fazer com que o  nosso paciente receba carinho, amor e conviva em um ambiente cheio de harmonia.
Cuidar de quem dedicou uma vida por nós é mais que uma obrigação é um presente.

Te amo Mamãe!!!
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Como eu estou me preparando para ter Alzheimer



Eu gostaria de falar sobre meu pai. Meu pai tem Alzheimer. Ele começou a ter sintomas há cerca de 12 anos, e foi diagnosticado oficialmente em 2005. Agora ele está muito doente. Precisa de ajuda para comer, precisa de ajuda para se vestir, ele não sabe direito onde está ou em que dia estamos, e tem sido muito difícil. Meu pai foi meu herói e meu guia por grande parte da minha vida, e eu passei a última década assistindo-o desaparecer.

Meu pai não está sozinho. Há cerca de 35 milhões de pessoas no mundo com algum tipo de demência, e espera-se que até 2030 esse número dobre para 70 milhões. É muita gente. A doença nos assusta. Os rostos confusos e as mãos trêmulas das pessoas que têm demência, o grande número de pessoas que têm a doença, tudo isso nos assusta. E por causa desse medo, tendemos a fazer uma de duas coisas: Nós negamos: “Não sou eu, não tem nada a ver comigo, nunca vai acontecer comigo”. Ou, nós decidimos que iremos prevenir a demência, e nunca acontecerá com a gente porque iremos fazer tudo certo e ela não nos pegará. Eu estou procurando uma terceira maneira: estou me preparando para ter Alzheimer.

Prevenir é bom e estou fazendo as coisas que podem ser feitas para prevenir o Alzheimer. Eu estou comendo direito, estou me exercitando todos os dias, estou mantendo minha mente ocupada, isso é o que a pesquisa diz que você deve fazer. Mas a pesquisa também mostra que não há nada que irá proteger você cem por cento. Se o monstro quer você, o monstro irá pegá-lo. Isso foi o que aconteceu com meu pai. Meu pai era um professor universitário bilíngue. Seus hobbies eram xadrez, cartas e escrever artigos. Ele teve demência mesmo assim. Se o monstro quer você, o monstro irá pegá-lo. Especialmente se você é como eu, porque o Alzheimer tende a se repetir em família. Portanto, eu estou me preparando para ter Alzheimer.

Baseada no que aprendi cuidando do meu pai e pesquisando o que é viver com demência, estou focada em três coisas na minha preparação: estou mudando o que eu faço por diversão, estou trabalhando para construir minha força física, e – essa é difícil – estou tentando me tornar uma pessoa melhor. Vamos começar com os hobbies.

Quando você tem demência, fica mais difícil se divertir. Você não pode ter longas conversas com os velhos amigos, porque você não sabe quem eles são. É confuso assistir televisão, e geralmente muito assustador. E ler é simplesmente impossível. Quando você cuida de alguém com demência, e recebe um treinamento, eles o treinam a envolvê-los em atividades que lhes são familiares, que envolvam a prática, sem um final planejado.

Com meu pai, isso acabou sendo deixá-lo preencher formulários. Ele era professor universitário em uma universidade estadual; ele sabe lidar com documentos. Ele assina o nome em cada linha, checa todos os espaços, coloca números onde acha que deveriam haver números. Mas isso me fez pensar, o que meus cuidadores fariam comigo? Eu sou filha do meu pai. Eu leio, escrevo, penso muito sobre saúde de uma forma geral, eles me dariam jornais acadêmicos para eu rabiscar nas margens? Eles me dariam tabelas e gráficos para que eu pudesse colorir? Então tenho tentado aprender coisas que são práticas. Eu sempre gostei de desenhar, então estou desenhando ainda mais, mesmo que eu seja muito ruim. Estou aprendendo um pouco de origami. Consigo fazer uma caixa muito legal. E estou ensinando a mim mesma a tricotar, até agora consigo tricotar algo redondo.

Mas, sabem, não importa se sou boa nisso. O que importa é que minhas mãos sabem como fazer. Porque quanto mais coisas são familiares, mais coisas minhas mãos sabem como fazer, mais coisas com as quais eu posso ser feliz e ocupada quando meu cérebro não estiver mais no comando.

Eles dizem que as pessoas que estão envolvidas em atividades são mais felizes, é mais fácil para os cuidadores e pode até desacelerar o desenvolvimento da doença. Tudo isso parece uma vitória para mim. Eu quero ser tão feliz quanto puder pelo máximo de tempo possível. Muitas pessoas não sabem que Alzheimer na verdade tem sintomas físicos, assim como cognitivos. Você perde o senso de equilíbrio, tem tremores musculares, e isso leva as pessoas a se movimentarem menos. Elas têm medo de andar por aí. Têm medo de se movimentar.

Então eu estou fazendo atividades que irão construir meu senso de equilíbrio. Estou fazendo yoga e tai chi para melhorar meu equilíbrio, então quando eu começar a perdê-lo, eu ainda serei apta a me mover. Estou fazendo levantamento de peso, assim eu tenho força muscular então quando eu começar a murchar terei mais tempo para continuar me movendo por aí.

Finalmente, a terceira coisa. Estou tentando me tornar uma pessoa melhor. Meu pai era gentil e amável antes de ter Alzheimer e ele é gentil e amável agora. Eu o vi perder sua inteligência, senso de humor e conhecimentos de língua, mas eu também vi isso: ele me ama, ama meus filhos, ama meu irmão e minha mãe e seus cuidadores. E esse amor faz com que queiramos estar em volta dele, mesmo agora. Mesmo quando é tão difícil.

Quando você leva embora tudo o que ele já aprendeu neste mundo, seu coração despido ainda brilha. Eu nunca fui tão gentil como meu pai e nunca fui tão amável. E o que eu preciso agora é aprender a ser como ele. Preciso de um coração tão puro que, se for atingido pela demência, ele sobreviverá.

Eu não quero ter a doença de Alzheimer. O que eu quero é a cura nos próximos 20 anos, rápido o bastante para me proteger. Mas se ela vier para mim, eu estarei pronta.

Alanna Shaikh – Expert em saúde global, gerente sênior com vasta experiência na gestão de sistemas de saúde, HIV e saúde materna e infantil.
Extraído de: http://www.ted.com/talks/lang/en/alanna_shaikh_how_i_m_preparing_to_get_alzheimer_s.html
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ALZHEIMER - SUPORTE FAMILIAR E CUIDADORES



 CUIDADOR

O cuidador é a pessoa diretamente responsável pelo paciente. É a pessoa que convive com ele e lhe presta os cuidados elementares, administrando os medicamentos prescritos e mantendo contato regular com o médico. O cuidador pode ser um familiar, um amigo ou um profissional contratado. A família colabora de modo decisivo para o bom padrão de atendimento, porém precisa de ajuda e apoio.
Cuidar de um paciente com Alzheimer pode ser uma tarefa (missão?) exaustiva e frustrante sendo necessário que se conheça melhor os sentimentos que costumam aparecer no dia a dia do cuidador.

O ESPAÇO DO CUIDADOR

Após todas essas medidas, adaptações e transformações, o cuidador – especialmente o familiar cuidador – deve estar pensando, e com toda a razão, em sua individualidade, seu espaço, sua privacidade, seu lugar na sua casa, pois a presença do paciente não anula os direitos de quem com ele convive e divide o espaço físico. É fundamental que haja um equilíbrio entre essas adaptações e o bem-estar do cuidador. Ambientes tensos são fatores de risco para a ocorrência de acidentes, mesmo em locais muito bem equipados. Dessa forma, a vida do cuidador e seus direitos não devem ser colocados de lado ou negligenciados. É imperioso que haja uma harmonia entre esses fatores para que todas as medidas aqui recomendadas alcancem os objetivos.

Algumas providências devem ser adotadas com esse fim:

O cuidador deve reservar (se possível) pelo menos um cômodo da casa, restrito e de uso exclusivo, apenas seu. Esse é o seu refúgio, onde poderá descansar relaxar e repor as energias despendidas no ato de cuidar. Esse local será de extrema valia em horas difíceis. Haverá momentos em que o pensamento e o sentimento serão de que a missão a ele imposta pelos mistérios da vida está além de suas forças.

Nesse local, o cuidador pode ter seus pertences, seu som, seus livros, seus objetos etc. Será o seu santuário que não pode em nenhuma hipótese sofrer invasão de privacidade. Nesse local, ele tirará “microférias” durante o dia, mesmo que sejam de alguns poucos minutos.

Esse local deve estar sempre trancado, inacessível ao paciente, e serve também para a guarda de objetos de valor e documentos importantes, como joias, cheques, escrituras, cartões de crédito etc., que podem ser danificados ou escondidos pelo paciente.

 CONHECENDO MELHOR OS SENTIMENTOS

Os sentimentos negativos que costumam acometer os cuidadores normalmente não são isolados e restritos, mas associados.

Os principais sentimentos que acometem são listados a seguir:

Culpa: esse sentimento está geralmente associado a uma possível negligência. O sentimento de não estar fazendo tudo o que deveria ser feito pode gerar sentimento de culpa. Falar com as outras pessoas envolvidas no processo, especialmente com o médico do paciente, costuma esclarecer as questões pendentes e pode solucionar o problema, para entender que uma palavra ríspida dirigida ao paciente pode ocorrer, e que isso não é o fim do mundo. Todos têm seus limites. Se errou, reflita, desculpe-se, abrace o paciente e continue sua missão.

Medo: verificar que, apesar de todos os cuidados prestados com esmero, carinho e competência, o paciente continua a piorar diariamente é uma experiência frustrante e aterrorizante. A incerteza de como será o amanhã leva o cuidador a temer o futuro, o que o aguarda, etc. Conhecer bem a doença e sua provável evolução é confortante e ameniza esse sentimento. A incerteza de como será o amanhã gera insegurança e medo. A informação sobre as questões relativas à doença de Alzheimer, com dados objetivos e concretos, é a grande aliada no combate a esse tipo de sentimento.

Vergonha: pacientes que necessitam ser constantemente advertidos em público, em virtude de comportamentos antissociais, causam tensão e embaraço ao cuidador. Entender que agem assim inconscientemente, de modo ingênuo e inocente é fundamental. Informar as pessoas estranhas sobre o que está ocorrendo ajuda e, por vezes, cria um ambiente favorável e até solidário.

Raiva: problemas de ordem financeira, pouco tempo para si, esgotamento físico e mental, condutas agressivas dos pacientes com insultos, a falta de reconhecimento e de um pouco de gratidão etc. geram irritação e raiva. A adoção de uma postura positiva e racional com a implementação das medidas expostas neste livro ajuda a contornar esse sentimento. Consulte o texto todas as vezes que encontrar um problema ou tiver uma dúvida.

Adotando uma atitude positiva

Se precisar, não hesite. Procure ajuda de familiares e amigos.
Não deixe de fazer as coisas que lhe dão prazer.
Um cuidador descansado desempenha suas obrigações com muito mais prazer e competência.
Mantenha-se saudável, alimente-se bem, repouse e faça exercícios físicos.
Não fume.
Beba café com moderação.
Reserve um local da casa apenas para você.
Leve para esse local seu livros, discos, CD, seu objetos de valor sentimental.
Não permita que esse local seja invadido.
Obtenha o maior número possível de informações.
Esclareça todas suas dúvidas com o médico.
Frequente as reuniões de associações de Alzheimer.
Use a internet, por exemplo, acesse endereço www.alzheimermed.com.br
Participe do grupo sobre Alzheimer do Google.

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