quarta-feira, 20 de junho de 2012

Alzheimer, pelo paciente.

Médico americano conta o processo de desenvolvimento da doença, dos sintomas ao diagnóstico, e como sua rotina mudou.


Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei a suspeitar da minha própria aflição.

Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer de nomes, mas nunca as fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.

Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.

Minha mulher insistiu para eu consultar um médico. Meu clínico-geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com donepezila, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite. Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, memantina. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. Fui um dos raros felizardos.

Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.

Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.

No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.

Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.

Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.

Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.

Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.

A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.

Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.




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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Diagnóstico de Alzheimer tem nova revisão

Pela primeira vez em 27 anos os critérios para se traçar o diagnóstico clínico do Alzheimer foram revisados, e novos parâmetros de pesquisa para a detecção da doença em seus estágios iniciais foram divulgados como forma de aprofundar o conhecimento da desordem.
A revisão dos critérios foi feita pelo Instituto Nacional do Envelhecimento e pela Associação do Alzheimer, nos Estados Unidos, e foi publicada nesta terça-feira (19) no periódico Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association.


Os médicos norte-americanos esperam ajudar os cientistas, com esses novos parâmetros, a descobrir novos métodos de diagnóstico e novos tratamentos para a doença.

A revisão do documento, que continha as linhas gerais do tratamento e diagnóstico do Alzheimer, marca uma importante mudança no estudo da desordem cerebral, uma vez que fazia quase três décadas que não se atualizava o material, mesmo com as mais modernas pesquisas já feitas na área de saúde.

Na prática, o que muda é que os médicos diagnosticavam o Alzheimer apenas após o surgimento dos primeiros sintomas de demência, sem levar em consideração sua evolução ao longo dos anos.

Agora, a Associação do Alzheimer dividiu a doença em três etapas: um estágio pré-clínico, o estágio de sintomas mais amenos e, por fim, a demência causada pela condição patológica. Com isso, abrem-se as portas para que os médicos estudem mudanças no cérebro e nos fluidos cerebrais e consigam relacioná-las ao Alzheimer.

“A pesquisa com o Alzheimer evoluiu bastante nos últimos anos. Atualizar os parâmetros de diagnóstico para que sigam a velocidade dessas mudanças científicas não é apenas necessário, mas também irá beneficiar os pacientes na medida em que acelera a velocidade com que são feitas as pesquisas”, afirmou o doutor Richard Hodes, diretor do Instituto Nacional do Envelhecimento.

O médico encarregado pelo escritório científico da Associação do Alzheimer, William Thies, disse também que a revisão do documento trará benesses que poderão levar a um diagnóstico da doença cada vez mais cedo e sempre mais efetivo. “Isso permitirá que mais pessoas vivam vidas sem nenhum – ou com muito pouco – sintoma do Alzheimer”, disse.

Os critérios clínicos originais do Alzheimer, datados de 1984, definiam a doença como tendo um único estágio evolutivo, que é justamente a demência, ignorando que a pessoa pudesse apresentar indícios da desordem cerebral antes de chegar nesse ponto. Até hoje, era considerado que pessoas livres de demência não tinham a doença, e o diagnóstico do Alzheimer nesses pacientes era confirmado apenas depois de mortos, quando era feita uma autópsia no corpo.

Uma das características do Alzheimer é a formação de placas de proteínas amiloides e proteínas tau no cérebro, o que, na maioria dos casos – mas não em todos – pode levar à demência. Em muitos pacientes, porém, esse excesso de proteínas no órgão só era descoberto depois da morte. Mas, de 1984 para cá, diversas pesquisas já haviam mostrado que nem todos os sintomas estão diretamente ligados a mudanças anormais na atividade cerebral, podendo o paciente ter Alzheimer sem apresentar vários dos sintomas considerados comuns.

Algumas das pesquisas médicas chegaram mesmo a mostrar que pacientes idosos que possuíam altíssimos níveis de plaquetas amiloides no cérebro jamais apresentaram sinais de demência durante toda a vida – e ainda assim morreram por causa do Alzheimer.

Também ficou provado que o acúmulo dessas proteínas no cérebro começa a acontecer antes da formação das plaquetas e da perda de neurônios.

Como forma de resumir tudo o que já se estudou sobre o Alzheimer, os dois institutos, então, resolveram compilar os dados e dividir os estágios da doença em três.

No primeiro, chamado de pré-clínico, avalia-se e se observa o acúmulo de proteínas amiloides no cérebro, sem, porém poder ser verificado nenhum sintoma comum.

No segundo, chamado de Deterioramento Cognitivo Leve (DCL), os primeiros sintomas de perda de memória começam a surgir, e é quando a pessoa geralmente é diagnosticada – a doença já está evoluída -, embora ela ainda esteja saudável.

Por fim, há o estágio da demência, o final da doença, quando a pessoa já se encontra em um estado avançado do Alzheimer.

Os pesquisadores ampliaram também os conceitos desse estágio final para que não ficasse centrado apenas na perda da memória, mas incluísse, além, outros aspectos da perda cognitiva.

O novo documento deixa aberta a possibilidade para que novas descobertas e tecnologias sejam automaticamente inseridas nos parâmetros do diagnóstico do Alzheimer, principalmente aquelas que estudem os processos da doença, possibilitando que o tratamento da doença seja ampliado com mais rapidez e não tenha que esperar outros 27 anos.

“Nós não estamos impondo um limite (nas pesquisas com o Alzheimer). O que estamos dizendo com esta revisão é que temos aqui o mais avançado conhecimento e não esperaremos outros 27 anos para poder revisá-la novamente”, afirmou o doutor Creighton Phelps, diretor do Instituto Nacional do Envelhecimento.


Márcio Borges
Geriatra - marcioborges@cuidardeidosos.com.br

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sábado, 16 de junho de 2012

A decisão é sua de viver a sua vida sem nenhuma contaminação negativa


Jogue fora todas as suas mágoas. Tenha atitude e coragem e elimine esse câncer de sua vida.


Agora é a hora de ser uma pessoa decidida e madura e se livrar de todo peso morto de sua existência. Bom senso e equilíbrio é disso que você mais precisa.

Tristeza e mágoa não combinam com o seu viver. Seu coração não pode mais ser sobrecarregado com as velhas mágoas.

Escolha viver bem e aproveitar tudo o que a vida tem para te oferecer. Abra a janela e deixe a vida fluir e acontecer pra você!

Nada mais sábio e inteligente do que observar a natureza e se propor a crescer, a se desenvolver como pessoa humana. A decisão é sua de viver a sua vida sem nenhuma contaminação negativa.

Portanto, sua atitude de hoje, não pode ser a mesma de dez anos atrás! O mundo mudou tanto nesses últimos anos! Se continuar fazendo o que sempre fez, colherá os mesmos resultados. Mude criatura!

Mude porque o Dia de Hoje é diferente do de ontem e o sol de hoje brilha um brilho de hoje!

Faça a sua vida acontecer diferente daqui pra frente! Ela é sua, é sagrada e precisa ser respeitada. Você merece todas as chances do mundo. Você pode e merece ser feliz!

Vamos lá! Força! Coragem! Você é uma pessoa diferente por fora hoje e tem a obrigação de estar diferente, melhor, é claro, por dentro também. Cresça!

"Se continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar recebendo o que sempre recebeu"

Luis Carlos Mazzini
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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Dia Mundial de Combate à Violência contra o Idoso

15 DE JUNHO
TODOS CONTRA ABUSOS E MAUS TRATOS AOS IDOSOS!

A data foi instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa. O objetivo é criar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa e, simultaneamente, disseminar a ideia de não aceitá-la como normal. A violência contra os idosos deve ser entendida como uma grave violação aos Direitos Humanos.



Os dez mandamentos contra abusos 
e maus tratos em idosos!

1- Dignidade. Os idosos devem ser tratados com respeito.

2- Ação imediata, quando detectar sinais de ferimentos sofridos pelos idosos, por abuso e negligência.

3- Personalizar o seu ambiente. Adaptar o espaço para garantir a independência dos idosos.

4- Responder ao desejo de satisfazer as necessidades de saúde dos idosos.

5- A boa qualidade da alimentação, de acordo com gostos e necessidades dos idosos.

6- Respeitar a privacidade dos idosos.

7- Promover a manutenção ou a recuperação do máximo de autonomia dos idosos.

8- Auxílio de cuidadores e familiares para facilitar a mobilização, higiene e limpeza nos idosos.

9- Envolver as famílias no cuidado e na tomada de decisão compartilhada.

10- Inclusão social. Evite, nos idosos, isolamento e solidão.

 
A CRIANÇA E O IDOSO

A criança nasce para a vida,
o idoso segue rumo à eternidade.

A criança é uma unidade 
com a mãe e com o pai,
O idoso busca 
manter-se unido à sua família.

A criança chora 
por demostrar desconforto,
O idoso, muitas vezes, cala-se 
para não causar desconforto.

A criança absorve tudo à sua volta,
O idoso, pela sabedoria e experiência, 
irradia-se para todos à sua volta.

Cuidar de crianças 
nos dá sentido de perpetuação,
Cuidar de idosos nos dá sentido 
de gratidão e compaixão.

OS IDOSOS MERECEM E POSSUEM 
O DIREITO AO RESPEITO!
EU RESPEITO O IDOSO!


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