segunda-feira, 12 de março de 2012

O alfabeto não pode faltar



Ferramenta indispensável nas salas de séries iniciais, o alfabeto ajuda as crianças a tirar dúvidas sobre a grafia das letras com autonomia.
É ASSIM QUE SE FAZ Na EM Atenas,
a turma consulta o alfabeto na parede
para conferir a grafia correta das letras.
Foto: Gilvan Barreto
 

Pendurado na parede desde o primeiro dia de aula, ele ocupa uma posição central na classe - de preferência, acima do quadro, no campo de visão de todos os alunos. Material de apoio precioso para um ambiente alfabetizador na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental, é a ele que os pequenos recorrem quando querem encontrar uma letra e saber como grafá-la. Se sabem que "gato" se escreve com G, mas esqueceram o jeitão dele, é só caminhar pela sequência de letras até encontrá-lo. Se na hora de escrever "mar" bater a dúvida de quantas perninhas tem o M, a resposta também está lá. O alfabeto da classe é um companheiro permanente para quem ensaia os primeiros passos no universo da escrita.

Não espanta o consenso de que um alfabeto, organizado em cartazes ou painéis de tamanho razoável, deve estar presente em toda - sim, em toda - sala de alfabetização inicial. Afinal, ele é um precioso instrumento de consulta para as situações de escrita, uma das quatro situações didáticas mais importantes nesse processo (as outras três são a leitura pelo professor, a leitura pelo aluno e a produção oral com destino escrito, quando o professor atua como escriba). Se você leciona para pré-escola, 1º ou 2º ano precisa dominar essas práticas.

Para que o alfabeto realmente ajude na compreensão do funcionamento da escrita, é preciso saber usá-lo. Isoladamente, ele não é nada além de uma lista de letras. Apenas mandar a garotada ler a sequência de A a Z não faz ninguém avançar na alfabetização. "Memorizar a ordem das letras é importante, mas esse saber deve ser acionado pelas crianças durante atividades de reflexão sobre a escrita", afirma Clélia Cortez, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.


Responder aos dois principais problemas da alfabetização

SABER NECESSÁRIO Agendas telefônicas
mostram a importância da ordem alfabética
numa situação real. Foto: Gilvan Barreto
 

Uma oportunidade de fazer isso é trabalhar com a construção de agendas telefônicas (leia o projeto didático). Nessa tarefa, a utilidade da ordem das letras fica clara: ela serve para tornar a busca de nomes mais rápida e precisa. A proposta foi adotada pela professora Janine Caldeira Veiga, da EM Atenas, no Rio de Janeiro. No caso de Janine, a confecção das agendas fez parte de um projeto amplo, que teve o alfabeto como aliado em todas as etapas. "Ele ajudou a turma do 2º ano a conferir a grafia e a pronunciar o nome das letras ou como apoio à memória para saber qual a posição de uma delas na sequência", diz.

De fato, o instrumento é útil durante todo o início da alfabetização, ajudando a responder aos dois principais problemas de quem está entrando no processo. O primeiro - o que, exatamente, a escrita representa? - mobiliza, sobretudo as crianças na fase pré-silábica, em que elas ainda não entendem que a escrita é uma representação da fala. Nessa fase, enfatizar a diferença entre desenhar e escrever é fundamental. Você pode usar o alfabeto para apresentar as letras que compõem a escrita, colaborando para distingui-las dos números e de outros símbolos.

O segundo desafio - como se organiza a escrita? - pode ser enfrentado quando alguma palavra apresentar falta de letras. Por exemplo, se um aluno escreve "AO" para representar "pato", provoque uma reflexão e questione:

- Me indique no alfabeto com que letra começa "pato".

- Está ali. É o P, de Paula.

- Isso mesmo. Agora olhe o que você escreveu: "AO". Onde a gente pode colocar o P na sua escrita?

Outra dúvida comum diz respeito à grafia das letras. A forma do G é uma das mais problemáticas. Para desenvolver a autonomia, incentive a criança a procurar a letra pela recitação do alfabeto.

O alfabeto deve ter letras de imprensa, sem decorações.



PASSOS SEGUINTES Alfabetos mais sofisticados, com letras de imprensa e cursivas, aprimoram a escrita. Foto: Gilvan Barreto
PASSOS SEGUINTES Alfabetos mais sofisticados,
com letras de imprensa e cursivas,
aprimoram a escrita. Foto: Gilvan Barreto
 

Atenção, porém, antes de produzir o alfabeto da classe. Ainda são muito comuns os modelos que trazem as letras de A a Z decoradas, com figuras cuja inicial é a letra em questão. Assim, o B, por exemplo, vem adornado por uma asa de borboleta, com um contorno que se mistura ao da letra. Não é o ideal, pois a associação com desenhos confunde a criança. "Nessa fase inicial de aprendizado, ela imita a escrita e ainda não consegue determinar com clareza o que é central e o que é periférico, o que realmente faz parte da letra e o que é somente um enfeite. Por isso, qualquer elemento supérfluo acaba sendo reproduzido", argumenta Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. O melhor é que o alfabeto seja composto de letras de imprensa maiúsculas, de contornos mais limpos e claramente identificáveis quando reunidos em palavras.

Depois que os pequenos já entenderam o que a escrita representa e como ela se organiza, aí, sim, você deve mostrar outros tipos de letra, como a de imprensa minúscula (o que vai ampliar a compreensão de livros, jornais, revistas e outros materiais impressos) e a cursiva maiúscula e minúscula (facilitando o contato com notas e bilhetes manuscritos e produções escolares). Novamente, essa etapa também pode se beneficiar da colaboração de um alfabeto pendurado na parede - dessa vez, um modelo um pouco mais sofisticado, com a letra maiúscula em destaque e os outros quatro tipos correspondentes logo abaixo.

 Faça o download e imprima o alfabetopara a sua sala



Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)
BIBLIOGRAFIA
Aprender a Ler e a Escrever, Ana Teberosky e Teresa Colomer, 192 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 49 reais
NOVA ESCOLA Alfabetização, edição especial, 4,80 reais, nas bancas a partir de 16 de março
Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed, 52 reais
Reflexões sobre Alfabetização, Emilia Ferreiro, 104 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3611-9616, 15 reais 



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domingo, 11 de março de 2012

Lição de casa: um dever para todo dia



A tarefa de casa é uma atividade importante para a formação dos estudantes - e deve ser incentivada por pais e professores

A rotina de estudos não deve acabar na porta da escola

Qual a importância da lição de casa? Quanto tempo o aluno deve se dedicar aos estudos fora da sala de aula? É mesmo fundamental haver lição de casa todos os dias? Como os pais devem ajudar nas tarefas? O que fazer quando o estudante tem dificuldade para fazer os exercícios propostos pelos professores? Essas são algumas dúvidas que atormentam tanto os estudantes quanto seus pais no dia a dia da escola. Lição de casa é um assunto sempre controverso, pois escolas diferentes seguem procedimentos distintos. O importante é que tanto alunos quanto pais saibam que a rotina de estudos não acaba na porta da escola, após quatro ou cinco horas diárias de aula. Em casa, o estudo deve continuar, sob a forma da lição de casa - também chamado de dever de casa ou tarefa de casa.

"As funções da lição de casa são sistematizar o aprendizado da sala de aula, preparar para novos conteúdos e aprofundar os conhecimentos", explica Luciana Fevorini, coordenadora de ensino fundamental II do Colégio Equipe, em São Paulo. "Analisando os exercícios que os alunos resolvem sozinhos em casa, o professor pode descobrir quais são as dúvidas de cada um e trabalhar novamente os pontos em que eles apresentam mais dificuldades."

"O grande desafio do professor é fazer com que o aluno consiga atribuir significado à lição de casa", diz Eliane Palermo Romano, coordenadora pedagógica da Escola Comunitária de Campinas. "O aluno precisa perceber a função das tarefas para que compreenda sua importância", reitera Cleuza Vilas Boas Bourgogne, diretora pedagógica da Escola Móbile, de São Paulo.

Leia os tópicos abaixo e tire suas dúvidas sobre a lição de casa.
Depois, faça o teste preparado pela psicóloga Luciana Fevorini e descubra se você vem acompanhando seu filho da maneira indicada.

Leia os itens abaixo:

Qual é a importância da lição de casa?

-A lição de casa é importante para pais, alunos e professores.
Para o aluno, é fundamental porque faz com que ele enfrente desafios pedagógicos fora do contexto escolar, além de ajudá-lo a construir uma autonomia, a estabelecer uma rotina e a melhorar a capacidade de organização.
Para o professor, é uma atividade útil porque lhe permite verificar quais são as dificuldades e deficiências dos alunos e, consequentemente, tentar saná-las com atividades de reforço.
Para os pais, é uma maneira de acompanhar o que está sendo ensinado na escola do filho.

Toda lição de casa é igual?

­-Não. "Existem três tipos diferentes de lição: aquela que sistematiza conhecimentos, a lição preparatória para a aprendizagem e a lição de aprofundamento. As três servem a objetivos diferentes, mas são igualmente importantes", afirma Luciana Fevorini, do Colégio Equipe, em São Paulo. Por isso, a lição de casa não deve ser vista apenas como uma obrigação, mas sim como uma parte fundamental dos estudos que, se for deixada de lado, pode comprometer o aprendizado.


O que a lição de casa trabalha?

-Especialistas classificam a lição de casa em três tipos diferentes:

- Lição que sistematiza conhecimentos: é o tipo de lição mais comum. Nessa modalidade, o aluno faz exercícios, sozinho. Analisando as respostas, o professor verifica quais são os principais problemas individuais e coletivos da turma e pode reforçar os conteúdos em que os alunos apresentam mais dificuldades.

- Lição preparatória: é a lição que introduz um novo tema. Antes de começar a trabalhar um novo tema, o professor pode pedir, por exemplo, que os alunos leiam notícias de jornais relacionadas ao assunto. Assim, antes de introduzir o novo conteúdo, ele sonda o que os estudantes já sabem sobre ele.

- Lição de aprofundamento: é a lição em que o aluno aprofunda os temas já estudados por meio de trabalhos mais longos. Pode ser uma pesquisa sobre determinado assunto ou a apresentação oral de um trabalho.

Os pais devem ajudar a fazer a lição de casa?

-"Os pais devem participar da vida escolar, sem dúvida. É importante conversar sobre o que os estudantes aprenderam na escola, fazer uma leitura conjunta do jornal, demonstrar curiosidade em relação à rotina de estudos. Eles podem, inclusive, ajudar a tirar dúvidas se tiverem prazer nisso, mas não devem fazer os exercícios pelo filho", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile. Ou seja, os pais podem ajudar, sim. Mas é importante que não atravessem a criança. A lição de casa é, sobretudo, um exercício que o aluno deve fazer sozinho, justamente para que os professores descubram quais são as suas dificuldades.

Como os pais podem ajudar na lição de casa sem prejudicar o aprendizado do filho?

-O segredo é ajudar sem oferecer respostas prontas. Um exemplo: quando a criança não sabe a grafia de uma palavra, os pais podem orientá-la a buscar a palavra no dicionário, mas nunca dizer imediatamente o que ela significa. Outras atitudes que podem ajudar o filho sem comprometer o aprendizado são levá-lo até uma biblioteca ou orientar uma pesquisa na internet. O mais importante é mesmo acompanhar, saber se a lição está sendo feita ou se o filho está tendo problemas. Também é interessante incentivar o aprendizado. Se a criança está estudando os diferentes tipos de árvores, uma boa ideia é levá-la a um parque para observar a vegetação. "Os adultos não estão proibidos de compartilhar o conhecimento com as crianças, mas também não devem sentir-se obrigados a fazê-lo. O ideal é que os pais não façam pela criança aquilo que ela tem condições de realizar sozinha, mesmo que o produto não corresponda à expectativa dos adultos", orienta Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas.


É preciso criar uma rotina da lição de casa?

-Sim, a rotina é importante para que a criança e o adolescente se organizem. Como a criança ainda não é capaz de estabelecer uma rotina sozinha - ela não tem autonomia para organizar o seu dia e os seus compromissos, lidar com horários, distribuir o tempo para brincar, fazer a lição, tomar banho, se alimentar - ela precisa da ajuda dos pais nesse processo. "Os pais podem organizar um horário com a criança e ter controle sobre o seu cumprimento", afirma Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas. O adolescente, porém, já tem uma capacidade maior de organização, e pode estabelecer uma rotina sozinho - ainda assim é sempre importante o monitoramento dos pais e, em caso de dificuldade, a ajuda.

O estudante precisa de um lugar especial para fazer a lição?

-Sim, o ideal é que o estudante tenha um lugar próprio para fazer a lição... Se tiver uma mesa adequada, espaçosa, em um local ventilado, com um lugar para guardar todo o seu material escolar, é ainda melhor. "O estudante deve ter um espaço definido para realizar as tarefas. Fazer a lição assistindo TV ou no playground do condomínio não favorecerá a concentração, o envolvimento e o capricho", afirma Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas.


Quanto tempo deve ser gasto com a lição de casa?

-Isso depende muito da idade do estudante. Até a metade do Ensino Fundamental II, o que equivale ao 7º ano, uma hora por dia é o suficiente, segundo Luciana Fevorini, do Colégio Equipe. A partir do 8º ano, e principalmente, depois, no Ensino Médio, a quantidade de conteúdo aumenta e, então, o tempo ideal passa a ser de cerca de duas horas por dia. "Mas a lição de casa é uma atividade complementar, de apoio, não pode tomar uma tarde inteira", explica Luciana. Por isso, se a escola estiver exagerando na lição de casa, talvez seja o caso de os pais conversarem com os professores sobre a questão. Crianças e adolescentes precisam ter tempo para atividades extracurriculares, para praticar esportes, para brincar e até para não fazer nada. O ócio faz parte do desenvolvimento saudável dos jovens.

Como agir quando o filho não quer fazer a lição de casa?

-O primeiro passo é identificar o problema. Não conseguir terminar toda a lição ou negar-se a fazê-la pode ser, por exemplo, um reflexo do excesso de atividades da criança ou do adolescente. Mas é importante também conversar com a escola para tentar descobrir se o aluno tem algum problema de aprendizado. "No entanto, independentemente do tipo de problema que o aluno está tendo, é muito importante que ele entenda o valor coletivo da lição. Se um estudante deixa de fazer os exercícios que a professora propõe para casa, a classe inteira pode ser prejudicada", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile.

Como agir quando o filho tem dificuldades na hora da lição?

-Assim como nos casos em que a criança ou adolescente não quer fazer a lição, o primeiro passo é tentar entender por que o filho tem dificuldade ou pede ajuda constantemente ao fazer os exercícios propostos para casa. Estabelecer uma parceria com a escola para identificar o problema é parte importante desse processo. Pedir muita ajuda na hora de fazer a lição pode ser uma tentativa de chamar a atenção dos pais, por exemplo. "Os motivos poderão ser diversos e, assim, merecer tratamento diverso. Mas é importante salientar que o aluno não deve ter a opção de não fazer a lição. Se tiver dificuldade, deve ser orientado a levar as dúvidas para a professora, para que, em classe, consiga resolvê-las", afirma Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas.


É preciso repreender quando o jovem não faz a lição direito?

-Errar como se diz popularmente é humano - e parte do processo de aprendizagem. É muito importante entender que o estudante - criança ou adolescente - está em uma fase de aprendizado e é natural que cometa erros no caminho. "Nunca se deve repreender a criança quando ela comete um erro. Isso faz parte do aprendizado", diz Luciana Fevorini, do Colégio Equipe. "Chamar de burro ou inconpetente, então, nem pensar". É errando que se aprende.


O que o professor percebe com a lição de casa?

- "A principal função da lição de casa é justamente complementar o trabalho do professor em sala de aula", explica Luciana Fevorini, do Colégio Equipe. Por meio da lição, o professor pode verificar quais são as principais dificuldades individuais e coletivas dos alunos. Quando um conteúdo não é bem aprendido, os conteúdos seguintes podem ficar prejudicados. Portanto, analisar a lição de casa dos alunos é uma forma de fazer uma "recuperação" diária, trabalhando os pontos em que os estudantes apresentam mais dificuldades. Além disso, no caso da lição preparatória, ele pode fazer um apanhado dos conhecimentos prévios da turma sobre determinado assunto, para decidir qual é a melhor forma de introduzir um novo tema.


O que os pais podem ver por meio da lição de casa?

- Além de ajudar o trabalho do professor, a lição de casa é uma maneira de os pais saberem o que vem sendo ensinado na escola. Acompanhando as tarefas, é possível saber o que o filho está aprendendo, em que disciplinas ele tem mais dificuldades e se precisa ou não de aulas de reforço. Mas atenção: acompanhar não significa fazer a lição. Ajudar o filho eventualmente é saudável, mas é errado resolver as questões por ele. E é importante não se intimidar diante de conteúdos desconhecidos. Nesses casos, o melhor é ser sincero, explicar ao filho que não sabe ou não lembra da matéria e fazer uma pesquisa conjunta. "A hora de fazer a lição de casa também pode ser um momento de compartilhar dúvidas", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile.

Texto Marina Azaredo
Foto: Fernanda Sá




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sábado, 10 de março de 2012

SER CHIQUE SEMPRE



Belo artigo e porque não dizer conselho!

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é ser discreto.
Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É "desligar o radar", "o telefone", quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... Quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.


Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... Mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

GLÓRIA KALLIL

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sexta-feira, 9 de março de 2012

BULLYING-"O pior é que os pais são cúmplices"



 A escritora americana especialista em bullying diz que crianças e adolescentes que agridem e humilham colegas são acobertados em casa - e que as escolas em geral se omitem.
02/03/2012 17:43
Texto Monica Weinberg


Faixa-preta no caratê, a americana Rosalind Wiseman dava aulas de defesa pessoal para garotas em Washington, capital dos Estados Unidos, quando se impressionou com as conversas das adolescentes sobre os constantes abusos físicos e psicológicos que sofriam ou infligiam a colegas na escola, o bullying.

Interessou-se pelo assunto, aprofundou as conversas e hoje é uma das maiores especialistas nesse triste fenômeno. Em 2002, escreveu Queen Bees and Wannabes (Abelhas-Rainhas e Aspirantes, em tradução literal), um guia para pais, educadores e alunos sobre como lidar com a crueldade com que as meninas populares da escola (as "abelhas-rainhas") tratam as colegas que aspiram a ser como elas. Best-seller instantâneo, o livro serviu de base para o enredo do filme Meninas Malvadas.

Aos 42 anos, mãe de dois filhos, Rosalind, formada em ciência política, dedica-se a escrever livros e colunas e a dar palestras em que expõe, com exemplos muito concretos e didáticos, a prática do bullying e ensina a prevenir e atenuar seus efeitos. Preparando-se para sua primeira viagem ao Brasil - onde fará palestras na Escola Americana, em São Paulo, entre 12 e 14 de março -, ela falou a VEJA.

Leia os  itens abaixo:

-O bullying está fugindo ao controle dos pais e das escolas?

Rosalind Wiseman:

Conflitos em que ocorre abuso de poder e força para demarcar território são tão antigos quanto a própria espécie humana. Não estamos, portanto, diante de um fenômeno moderno, como alguns apregoam.
Por outro lado, há, sim, certos aspectos da sociedade em que vivemos que conferem ao bullying feições particularmente cruéis, e é isso que o torna mais difícil de ser controlado.

A principal mudança está na internet, com a qual a atual geração de crianças e adolescentes mantém uma relação quase que visceral. É justamente ali, onde constroem sua identidade e seus laços de amizade, que eles começam a se ver alvo de humilhações capazes de se difundir por toda a escola em questão de horas. O problema passa a ganhar uma escala que nunca teve antes, enchendo a vítima de vergonha, solidão e medo.

Os pais e os educadores, por sua vez, são frequentemente tomados de um sentimento de profunda impotência que os mantém paralisados.

-A senhora está dizendo que as escolas não estão sabendo lidar com os casos de bullying?

Rosalind Wiseman:

Minha experiência mostra que a maioria não encara esse problema como sendo também seu, prova de uma visão ainda antiquada sobre a educação.
Nos últimos anos, a internet demoliu certas fronteiras físicas de forma avassaladora, como a que separava a casa da escola, mas muitos educadores continuam alheios a isso.

Eles se esquivam de suas responsabilidades, limitando-se a dizer apenas que "o caso não aconteceu dentro da sala de aula, me desculpe, estamos de mãos atadas". Pois, ao ignorarem a questão, dão sinal verde para que os agressores sigam adiante, seguros, e com razão, de que não serão punidos.
Aqueles que são alvo das intimidações passam a odiar profundamente o colégio, onde não recebem o mais básico: segurança.

Ouço muito nas escolas que elas estão, sim, em plena cruzada de combate ao bullying. Mas isso não costuma se traduzir em nada verdadeiramente efetivo. Toda essa discussão acaba por chamar atenção para uma enorme fragilidade que vejo na instituição escolar, nos Estados Unidos e em outros países.

-A que fragilidade a senhora se refere?

Rosalind Wiseman:

Várias escolas até tentam, mas não conseguem garantir um ambiente minimamente favorável ao aprendizado. Isso porque uma turma de educadores está se furtando à tarefa fundamental de estabelecer regras de bom convívio, divulgá-las a todos e fazê-las cumprir com rigor, castigando, em alguma medida, aqueles que as infrinjam.

É preciso de uma vez por todas inverter a lógica segundo a qual são os jovens que estão no comando. O problema, evidentemente, não se restringe ao ambiente escolar. Ele começa em casa. Só que muitos pais preferem manter-se cegos a agir como deveriam.

-É um traço típico dessa geração de pais?

Rosalind Wiseman:

No grau em que se manifesta, sim. Enxergo um aspecto positivo na atual geração, que vive em busca de relações mais abertas, francas e afetivas com seus filhos. Querem contrapor-se aos próprios pais, bem mais distantes e rígidos.

Os problemas começam quando essa tentativa de estabelecer um laço mais autêntico resvala para uma situação completamente absurda em que por nada no mundo a criança pode ser contrariada ou se sentir minimamente desapontada. O que preocupa aí é a dificuldade de enxergar as nuances entre a tirania e a amizade.

Em muitos dos lares, por assim dizer, modernos, no lugar de noções básicas de hierarquia e limites, o que as crianças e adolescentes acabam obtendo dos pais é apoio incondicional, quando não conivência - inclusive para com os maus modos e os eventuais episódios de agressão que protagonizam fora de casa.

-Os próprios pais acabam sendo condescendentes com o bullying?

Rosalind Wiseman:

Exatamente isso. Existe um grupo, e com certeza não é pequeno, de pais que se arvoram em defesa dos filhos incondicionalmente, qualquer que seja a situação, ainda que às vezes não tomem consciência disso. Alguns até bradam: "Quem se meter com meu filho está se metendo comigo também".

É um instinto de proteção cego, irracional. Mesmo alertados pela escola e por outros pais, eles se recusam a ver e a ouvir o óbvio. Estão se furtando assim à tarefa de dar uma boa educação aos filhos.

-Como deveriam agir nesses casos?

Rosalind Wiseman:

Como adultos. Eles devem não só assumir como enfatizar o problema, advertindo a criança, punindo-a prontamente quando preciso e procurando a escola, se esse for o caso. É básico, mas não tão comum.

Vou além na crítica que faço. Muitos pais acabam não apenas agindo como cúmplices juvenis de seus filhos como também dando o mau exemplo em casa.

Depois de tantos anos nesse campo, estou convencida de que tratar mal o outro, tentando se sobrepor à base da força e do medo, não é apenas um instituto humano, mas também um comportamento cultivado e assimilado socialmente.

-Como isso ocorre?

Rosalind Wiseman:

Não é tão óbvio, mas sutil. Observando as famílias das crianças que costumam liderar o bullying, descobri um padrão comum à maioria. Em geral, elas vêm de ambientes em que os próprios pais não lidam bem com as diferenças. Costumam supervalorizar características físicas e psicológicas universalmente aceitas e desconfiar de quem destoa delas.

Eles reforçam, por exemplo, o ideal de magreza que tanto preocupa as crianças e adolescentes de hoje - inclusive os magros que querem ficar cada vez mais esbeltos.

É curioso que esse tipo de manifestação preconceituosa aparece até mesmo naquelas famílias de gente muito lúcida, de forma quase invisível. Mas a mensagem está lá.

O bullying nada mais é do que uma demonstração exacerbada da aversão às diferenças. Escuto muito pais criticando uns aos outros. É como um esporte nacional. Está claro que falta um olhar mais realista sobre si próprios.

-O que a família pode fazer para ajudar os filhos quando eles é que se tornam o alvo das agressões?

Rosalind Wiseman:

No afã de vê-los aceitos socialmente, são justamente os pais que muitas vezes os incentivam a tomar parte de grupos que, acreditam, podem lhes conferir status.

Para tentar se integrar, a criança passa a bajular os que têm mais poder e prestígio na turma, mesmo sendo alvo de chacotas e humilhações.

Os pais devem incentivar os filhos a cortar esse laço, no lugar de lutar por ele desesperadamente. É um primeiro passo para resgatar a autoestima, destroçada nesses casos.

O bullying costuma impingir um sofrimento solitário e silencioso. A criança passa a isolar-se e a odiar a escola. A situação demanda sensibilidade dos adultos para perceber o que está se passando a sua volta e romper o silêncio.

-Por que elegeu o universo feminino como campo de estudo de seu primeiro livro sobre o assunto?

Rosalind Wiseman:

As meninas podem ser mais cruéis entre si do que os garotos. Elas têm uma compreensão muito clara sobre como a outra se sente e, com isso, conseguem ferir-se com requintes de maldade.

Na adolescência, criam uma severa hierarquia no grupo, pautada por aquilo que vestem e possuem e também pela maneira como se expressam e se posicionam.

São regras invisíveis, que se fazem perceber da pior forma possível - quando alguém as quebra e é punido por isso. As meninas se policiam umas às outras o tempo todo e costumam ser implacáveis com quem transgride. Praticam uma agressão de fundo mais psicológico, mas profundamente dolorosa, segundo relatos que venho colhendo ao longo desses anos de trabalho nas escolas.

Muitas pessoas ainda se espantam quando trato dessas coisas. Preferem trilhar o caminho mais fácil, o do politicamente correto, a falar abertamente e ajudar.

-Há uma idade em que as crueldades são mais comuns?

Rosalind Wiseman:

Demonstrações de crueldade não têm idade para vir à tona. Elas podem surgir bem cedo, restando aos pais a dura e inadiável missão de encará-las.

É natural que a maioria prefira vir à luz festejar os avanços ou os grandes feitos de sua prole. Mas, às vezes, o assunto é muito mais complicado e menos prazeroso.

Não quer dizer aí que os pais tenham fracassado em seu papel de educar. Fujo desses dogmas. Mas lhes cabe uma óbvia reflexão sobre se os incentivos que estão dando em casa têm sido os mais apropriados.

-Qual é a sua resposta a esse dilema?

Rosalind Wiseman:

Existe uma moda por aí da qual discordo com veemência. As crianças e adolescentes estão recebendo estímulos para parecer mais velhos do que são, mas, infelizmente, não mais maduros. Não é só a roupa, ou o batom, mas a maneira como se portam e agem.

Sinto uma angústia ao observar como se abreviam a infância e a própria adolescência em nome de ideias profundamente vazias na essência. Ao resvalar para isso, a lição crucial da tolerância diante das diferenças fica de lado.

Nesse caldo equivocado de cultura, não espanta que o bullying se perpetue entre os jovens. Evidentemente que não é só a família que provê os incentivos equivocados, embora, de novo, ela tenha uma contribuição decisiva.

Muitas vezes, são os pais que transformam os filhos naquilo que costumo chamar de "mininarcisos", com a vaidade exacerbada e em permanente culto a si mesmos.

O adolescente recebe hoje o maior de todos os privilégios da vida adulta - a liberdade - mas nenhuma das obrigações que vêm com a idade madura.

-Falta também impor limites no uso de tecnologias?

Rosalind Wiseman:

Sim. Sou uma entusiasta da internet, mas acho que, se não for bem usada, pode incentivar o vazio intelectual mais do que criar gente curiosa e pronta para refletir sobre o mundo em que vivemos.

Por isso, especialmente no caso das crianças mais novas, o acesso à rede deve ser feito com orientação em casa. Navegar de forma produtiva, sem correr riscos desnecessários e extraindo o melhor da web, é um aprendizado.

Tenho chamado muito a atenção de pais e educadores para a facilidade com que as crianças conquistam hoje artigos como tablets e celulares. Perdem e ganham um novo na mesma hora. É como se fosse um direito. Mas não deve ser assim. 

Estamos diante de um privilégio, e dos bons. Essa é a ideia que deve ser pavimentada.

-Ainda que não reflita a realidade, o sentimento de dever não cumprido por parte dos pais é uma constante. Como combatê-lo?

Rosalind Wiseman:

Antes de tudo, sou uma defensora de que essa atual geração se liberte da eterna culpa que a acompanha.

Os pais têm culpa porque se divorciaram ou porque trabalham demais. Culpa porque querem manter uma vida própria e independente das questões maternas ou paternas. E culpa ainda porque às vezes, como são humanos, sentem raiva dos filhos quando eles se comportam mal ou os envergonham.

Justamente movidos por esse sentimento de que não estão suprindo as necessidades dos filhos à altura de suas gigantescas expectativas como pais, acabam fazendo concessões muito além da conta.

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